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Gráfico da Semana

Gráfico da semana: Mais crescimento, menos crimes?

A América Central continua a ser uma das regiões mais violentas do mundo. Lá ocorrem quase 4,5% do total de homicídios, embora a região tenha apenas cerca de 0,5% da população mundial.

Mas as taxas de homicídios estão em declínio desde 2015, sobretudo graças aos esforços dos governos da região para aumentar a segurança. As taxas de homicídios por 100 mil habitantes caíram de 108,6 para 36 em El Salvador, de 29,7 para 21,5 na Guatemala e de 63,8 para 41,5 em Honduras.

Durante esse período, a atividade econômica também cresceu em El Salvador, Guatemala e Honduras, os países do chamado “Triângulo do Norte”. Isso suscita uma pergunta: condições econômicas favoráveis ajudariam a manter a criminalidade sob controle no futuro?

Nosso gráfico da semana, extraído de um estudo recente do FMI sobre a relação entre a criminalidade e o produto no Triângulo do Norte, indica que sim. Como mostra o gráfico, uma elevação de 1% no PIB per capita observado em Honduras em 2016, impulsionada por um aumento da produtividade do trabalho, reduziria a criminalidade em cerca de 0,5%.

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Em El Salvador, um aumento do produto em 1% reduz a criminalidade em ⅔%; na Guatemala, o efeito é o mesmo que em Honduras. Portanto, o gráfico sugere que os efeitos positivos do maior vigor da atividade econômica sobre a atividade criminosa são semelhantes para um amplo conjunto de níveis de criminalidade média.

Uma vida melhor com empregos melhores

Ao comparar a análise de custos e benefícios da escolha de um indivíduo entre procurar um emprego dentro da lei ou viver na criminalidade, constatamos que uma melhoria sistemática do padrão de vida é fundamental para sustentar a redução da atividade criminosa — sobretudo se os níveis de criminalidade forem controláveis. O lado negativo dessa relação é, naturalmente, que a instabilidade econômica ou uma desaceleração do crescimento prejudicam a situação da segurança.

Nossa análise explica por que o fortalecimento da economia ajuda a reduzir os índices de criminalidade na América Central. Primeiro, à medida que a produtividade e a atividade econômica aumentam — ajudando a elevar a renda geral — os indivíduos têm um incentivo maior a praticar atividades lícitas, como o trabalho remunerado no setor industrial, ou montar uma pequena empresa.

Isso significa que o crime se torna menos atraente. E à medida que surgem mais empregos dentro da lei, nossa análise constata que os delinquentes atuais se veem menos propensos a praticar atos ilícitos altamente rentáveis, como a extorsão, e passam a optar pela segurança no emprego e por salários estáveis. Isso tem uma repercussão positiva à medida que trabalhadores mais produtivos e custos de segurança mais baixos impulsionam os lucros das empresas, o que, por sua vez, estimula novas empresas a ingressar no mercado ou incentiva as empresas existentes a expandir-se e, assim, gerar mais oferta de trabalho e emprego.

Conter a criminalidade

Dada a pobreza generalizada e a falta de oportunidades econômicas, assim como a percepção de corrupção, não é de surpreender que a atividade criminosa se torne uma opção viável para alguns, o que poderia explicar a alta incidência de criminalidade nos países do Triângulo do Norte.

Embora políticas rigorosas de combate ao crime, como a “Mano Dura” em El Salvador, tendam a ser populares , muitas vezes são contraproducentes . As políticas que buscam reintegrar os condenados à economia produtiva, como na indústria ou no setor de serviços, parecem produzir resultados mais positivos .

Em termos mais gerais, as políticas que promovem a geração de mais empregos e o aumento da produtividade — como a melhoria da infraestrutura, a redução das barreiras à entrada de novas empresas e o aumento da eficiência dos sistemas tributários — são essenciais para fortalecer e sustentar o crescimento na região.

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Dmitry Plotnikov é economista do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, onde tem trabalhado com países da América Central e do Sul. Seus estudos anteriores concentraram-se em questões do mercado de trabalho, política fiscal, equilíbrios múltiplos e econometria de séries temporais. Trabalhou no Instituto do FMI para o Desenvolvimento das Capacidades, onde ministrou cursos presenciais e online para autoridades nacionais. Doutorou-se pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA).